Aldeia do Vale da Senhora da Póvoa com a Serra d'Opa de fundo

Serra d’Opa

O nosso “pequeno pedaço de paraíso”

Quando começámos a vir de forma mais frequente para o Vale da Senhora da Póvoa, mesmo antes de cá estabelecermos residência, raras eram as vezes em que eu (Samuel) não subia até ao topo da Serra d’Opa, fosse de mota, btt, ou a pé.

No início tudo não passava de um desafio físico e técnico, com a recompensa a ser “apenas” a vista a 360º do marco geodésico, que descansa a 867m acima do nível do mar. Daqui, num dia limpo, avistamos facilmente as cidades da Guarda e de Castelo Branco, em pontos opostos, com panorâmica complementada com as cidades da Covilhã e Fundão, e das Aldeias Históricas de Sortelha e Monsanto, para além das várias localidades vizinhas e a inevitável Serra da Malcata, com a Serra de Mesas ao fundo.

Vista desafogada do interior de um barroco, com as geoformas graníticas em frente e a cidade da Guarda no horizonte

Vista do interior de um barroco para a cidade da Guarda, no horizonte

Entretanto temos aprendido imenso sobre Natureza 

E a nossa visão sobre esta serra muda sempre que aprendemos mais! Seja porque identificámos espécies raras, ou icónicas, seja porque reconhecemos evidências de fauna neste local. E nem o incêndio do Verão de 2025 serviu para nos retirar a paixão por esta serra, como aliás fizemos questão de demonstrar na nossa Caminhada de Aniversário, com ainda bastantes marcas do fogo.

Das espécies presentes na serra, destacam-se ao nível da flora a Rosa Albardeira (paeonia broteri), a Quita-merendas (colchicum montanum) ou o sempre importante carvalho-negral (Quercus pyrenaica). Já do ponto de vista da fauna, as evidências da presença de corço (capreolus capreolus) são cada vez mais expressivas, e ocasionalmente também o veado vermelho (cervus elaphus) se deixa avistar. Existe ainda a presença confirmada por avistamentos de gineta (genetta genetta), e de texugo (meles meles) por avistamentos e pela presença de latrinas típicas da espécie. Por ausência de predadores de topo de cadeia, a densidade de raposa (vulpes vulpes) e de javali (sus scrofa) é considerável. Para além destes, não podemos ignorar o avistamento frequente ao nível da avifauna de grifo (gyps fulvus) e de milhafre-real (milvus milvus).

flor rosa

Rosa Albardeira

Para além destes valores naturais, a Serra d’Opa conserva ainda um Castro pré-Romano com a toponímia de Sortelha-Velha. Os castros são estruturas amuralhadas, do bronze final, ou da idade do Ferro, que serviam um propósito defensivo e habitacional aos povos desta época viam nos pontos altos uma vantagem defensiva perante outros povos e/ou animais potencialmente perigosos. Estando este castro ainda intacto, e de interpretação possível quando a vegetação assim o permite, importa dizer que a serra preserva ainda duas outras evidências de possível castro, uma delas próxima do marco geodésico.

Também próximo a esta última evidência de castro está a ser instalado um Parque Eólico. É inequívoco que as condições morfológicas da Serra d’Opa são óptimas do ponto de vista do aproveitamento do vento, e inevitável o recurso à energia eólica enquanto fonte menos poluente e de progresso perante a redução de emissões CO2 e dependência dos combustíveis fósseis.

A seu tempo diremos se o património da Serra sofreu com este novo recurso e se existiu um benefício claro para as comunidades locais, ou para a Natureza em redor.

Vemo-nos em breve numa visita por este nosso Pedacinho de Paraíso.

Bem haja.

Pequeno momento de interpretação na Caminhada de Aniversário da Beir’Aja